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A XII Felizs Mulherageia Jerá Guarani

Tornar-se selvagem - Outras poéticas para confluir.

Nossas e nossos mais velhos, nas periferias da Sul, caminharam entre a saudade das paisagens deixadas pelas migrações e a urgência de redistribuir uma franja da riqueza da cidade e criar um lugar possível para si e suas famílias. Aqui vieram morar os que foram expulsos de suas terras e precisaram vender seu trabalho, sempre desvalorizado. Vivemos nos territórios que mais sofrem com o racismo ambiental, onde os rios retificados e córregos poluídos pela ocupação de suas margens transbordam e invadem casas; onde é mais fácil e barato adquirir ultraprocessados do que encontrar vegetais e frutas frescos para se alimentar; onde as águas, o solo, o ar reverberam os maus-tratos que o projeto de progresso capitalista da nossa sociedade a eles impôs e passam a constituir ameaça à saúde individual e coletiva, primeiramente de quem habita esse lugar. Como já escreveu Carolina Maria de Jesus, “a cidade é o jardim, e a favela é o quintal onde jogam os lixos”. Movimentando saberes ancestrais e nossa memória coletiva, nossas parteiras, benzedeiras, mestras e mestres das culturas populares não nos deixam esquecer que somos parte da Terra, conversam com entidades imateriais e mitigam os efeitos do descaso com a vida nestas paragens, criando beleza e cura em suas lajes, cozinhas e quintais. A XII FELIZS, mulherageando Jerá Guarani, educadora e liderança de um povo originário deste território, abre passagem para outras poéticas que questionem o sentido da civilização e da cidade e nos recoloquem como parte da natureza, recuperando o horizonte de bem-viver como um direito para nós e nossos mais novos.



Tornar-se selvagem
— Jerá Guarani

Jerá Guarani

Jera Guarani, liderança da aldeia Kalipety, na Terra Indígena Tenondé Porã, localizada no extremo Sul de São Paulo, no distrito de Parelheiros .

Formada em Pedagogia pela USP em 2008, hoje atua como Agente Ambiental, promovendo a recuperação de sementes tradicionais, recuperação de áreas degradadas e realizando projetos de recuperação de florestas na Terra Indígena.

Como escritora, fez parte da coletânea "Nós" organizada por Maurício Negro publicada pela Editora Companhia das Letrinhas e pela Editora FTD com o texto "Ju'i Poranduja".

 Jerá faz apontamentos de reflexões profundas sobre sua cultura, no trabalho político com as mulheres da aldeia.


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